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MACAU – SUA HISTÓRIA E CULTURA

 

Benilde Justo Caniato(USP)

 

 

                                                     

O nome de Macau deve ter sido, a princípio, apenas o do local onde se encontra o Pagode da Barra e onde, segundo a tradição, os nossos pioneiros desembarcaram pela primeira vez. Enquanto a povoação se estabelecia e aumentava, este nome persistiu na boca do povo, a despeito de todas as designações oficiais, portuguesas ou chinesas.

(Graciete Nogueira Batalha)

 

1. Macau é palavra composta possivelmente de “Má” ou “A-Má” (“A”, prefixo usado pelos chineses antes dos nomes de pessoas; “Má” = mãe), e “cau”. “Má” relaciona-se com a deusa protetora dos marítimos, venerada pelos chineses no velho templo “Má-Kók-Mil” (Pagode da Barra, para os portugueses), templo, provavelmente, anterior à chegada dos portugueses e que servia de abrigo temporário a pescadores (1).


O étimo “A-ma-ngao” ou “A-ma-ngau” é o mesmo proposto no século XVI e XVII pelo Padre Mateus Ricci, e por outros missionários e historiadores. Do cantonense “A-ma-ngao”, ou “A-ma-gau” para os portugueses,  teríamosAmagau > Amacau > Macau”. Não se trata, porém, de evolução natural, uma vez que as oclusivas sonoras não passam a surdas.


É mais provável que em lugar da designação de “Baía deA-Má” se empregasse “Embocadura de A-Má”, expressão em que se empregaria “Hau” (boca, embocadura). Daí teríamos “A-Ma-Hau”, com “h” aspirado pelos fuquienenses (da província de Fuquiem), passando a “A-Ma-K' au”, com “k” aspirado, explicando-se a forma “Amacau”.


Nos escritos do século XVI aparecem as variantes “Amaquam”, “Machoam” e  “Amagão”.A formaAmaquam” estaria documentada por Fernão Mendes Pinto, na carta de 20/11/1555. Seria o documento português mais antigo em que surge o nome de Macau. Na carta escrita de Macau pelo Padre Belchior Barreto, em 23/11/1555, estaria registrada “Machoam”. Há dúvidas, porém, quanto à estada de Fernão Mendes Pinto ou do Padre Belchior Barreto em Macau.


Austin Coates propõe a seguinte explicação para o nome Macau: “Má Kó”, a “Ancestral Avó”, padroeira dos pescadores, ouviu as preces destes, quando, apanhados por um tufão, foram desviados das suas zonas de pesca. Ofereceram preces a Má Kó e chegaram salvos ao porto de abrigo. Construíram, então, um relicário em honra de Má Kó, como prova de gratidão à deusa. Posteriormente surgiu um templo de dimensão maior, um dos pontos de referência  em terra. Este local, em dialeto fuquienense, era designado por “Má Kó Cau” (enseada daAncestral Avó), cuja abreviatura “Ma Cau” deu origem ao nome da futura cidade (2).


No dialeto cantonense até hoje se usa “Ou-Mun” (Porta da Baía) para designar Macau.

2. Como se sabe, após a conquista da Índia por Afonso de Albuquerque (1509-1515), D. Manuel iniciou a disputa pelo domínio das linhas comerciais-marítimas do Índico e do Mar da China. A conquista de Malaca em 1511 contribuiu para o favorecimento dos primeiros contatos dos portugueses com a China. Dois anos após, Jorge Álvares levanta um padrão na ilha de Tamão (hoje ilha de Lantau e incluída no território de Hong Kong), localizada na desembocadura do rio das Pérolas, marcando o encontro do Império do Meio com o Ibérico (3). E em 1516, Rafael Perestelo atinge Cantão.


A partir de 1520 surgiram hostilidades, em face de ataques a navios chineses por parte dos portugueses. Embora um decreto do Imperador fechasse o porto de Cantão aos estrangeiros, os portugueses continuaram a frequentar os mares da China, estabelecendo as feitorias de Liampó e Chinceu, no litoral. Nos anos 40, com a chegada ao Japão, o comércio português se amplia e logo depois novas feitorias se estabelecem nas ilhas de Sanchuang e Lampacau.


Por essa época, o capitão Leonel de Sousa consegue do governador de Cantão licença para os portugueses se fixarem naquela pequena aldeia de pescadores. Sanchuang e Lampacau entram em declínio e Macau passa a crescer, tornando-se uma povoação de mercadores.


O ano de 1557 é tido como a data de fixação permanente dos portugueses em Macau. Espécie de zona neutra, ali, no estuário do rio das Pérolas, os portugueses conseguiram manter o monopólio que detinham na comercialização entre o Oriente e o Ocidente, até fins do século XVII (4).


Macau cedo se transformou de aldeia piscatória num porto muito próspero, em face de sua posição de navegabilidade pelos mares que a circundam. Por outro lado, no entanto, tornou-se também um ponto ideal para prática de atividades ilícitas. Segundo o professor Fock, da Universidade de Hong Kong, somente nos anos 60 do século XVI, os portugueses conseguiram assegurar sua posição, porque ajudaram as autoridades locais a suprimir uma amotinação das tropas costeiras. Apesar disso, os chineses ainda mantinham algum receio quanto à presença portuguesa (5).


Nos anos 70, como já existisse uma povoação portuguesa, os chineses, temerosos de que os portugueses saqueassem o continente, construíram uma muralha ao Norte, com acesso ao continente pela “Porta do Cerco”, aberta duas vezes por mês, e posteriormente todos os dias, para que lhes fossem fornecidos produtos alimentícios e outros bens. E o mercado acabou por fixar-se entre as duas comunidades (6).


Os instrumentos jurídicos que formalizaram a cessão do território aos portugueses teriam sido certamente através de autorização de Pequim e Cantão. Isaú Santos cita dois documentos, que se encontram na Biblioteca daAjuda, em Lisboa, que talvez possam esclarecer a cessão (7):


1) B.A 51 - VIII - 40, fl. 232/234: Relação do princípio que teve a cidade de Macau e como se sustentou até ao presente, cit. por A. da Silva Rego na obra A presença de Portugal em Macau. Lisboa, AGC, 1946. Este documento afirma que o Imperador da China concedeu Macau aos portugueses, depois que eles expulsaram os piratas da região de Cantão, impondo-lhes uma pensão de “quinhentos taéis de pratafina” (8).


2) BA 49 - v. 5, fl. 348. Neste manuscrito atribui-se a cessão de Macau aos portugueses pelos mandarins ou governadores de Cantão.


A obra Ásia Portuguesa (tomo III, parte III, cap. XXI), de Faria e Sousa, ajuda a esclarecer também a cessão do território. O fato é que a China nunca pretendeu expulsar os portugueses de Macau, que sempre usufruíram de privilégios em relação a outros estrangeiros. Convinha aos chineses manterem-nos ali, pois, por terem habilidades marítimas, protegiam aquele espaço livre de invasões inoportunas.

 

3. Território de dimensões geográficas limitadas, Macau abrange a península que leva o mesmo nome e duas ilhas, a de Taipa e a de Coloane. Esta integra-se à península por um aterro, desde 1968, e a ilha de Taipa, por uma ponte com 2,56 quilômetros de comprimento, permitindo, na parte mais elevada, a passagem de navios. No século passado foram construídos vários empreendimentos urbanos na orla da antiga península, destacando-se o aeroporto, inaugurado em 1996.


Macau tem sido durante mais de 450 anos ponto de encontro de duas culturas distintas e complexas. Orientais e ocidentais passaram a conviver sem subserviências, nem perda de identidade, enriquecendo-se mutuamente. O padre jesuíta Benjamim Videira Pires, ao indagar se houve em Macau  “miscigenação, assimilação, aculturação”, considera um caso “suigeneris”, porque “nenhuma antropologia, ainda tão incerta de si, consegue traçar-lhes as fronteiras”. E continua:

 

 

Daí que a transculturação, osmose contínua e sem datas, em corpo e alma, de tudo o que somos e temos, entre homens e povos que sabem conviver, com toda a abertura de espírito ecumênico, represente, melhor que os outros tipos culturais, a síntese vivencial que este pedaço de história luso-chinesa plasmou solidamente, num tempo e espaço definidos. Temos, pois, duas culturas, seculares e opulentas - a portuguesa e a chinesa -, que se encontram e fundem, em transculturação criadora. Aqui, em Macau (9).

 

O nome cristão dado à povoação foi “Porto do Nome de Deus”, mudado para “Cidade do Nome de Deus”, em 1586, quando o rei Felipe II da Espanha, I de Portugal, conferiu à povoação o estado de cidade. Mais tarde, foram-lhe conferidos os mesmos privilégios, liberdades, honras e prerrogativas da cidade portuguesa de Évora, a primeira a revoltar-se contra o domínio dos Felipes, em 1637. Como Macau nunca se subordinou ao domínio dos reis da Espanha, as suas armas passaram a ter o mesmo lema das de Évora: “Muynobre e sempre leal cidade”. D. João IV mandou gravar à entrada do Leal Senado o dístico: “Cidade do Nome de Deus, não há outra mais leal”. É com este nome que aparecem atas e outros documentos ao longo do século XVII, ocorrendo também as denominações: “Nobre Cidade do Nome de Deos deMacau”  e “Nobre Cidade de Macao”.


Em 1585 foi criado o Senado da Câmara, que se constituía por moradores eleitos pelo povo. Como os governadores eram estranhos à cidade, representando o poder político do vice-rei da Índia, com estada temporária no território, o Senado tinha grande importância, por deter o poder político, jurídico e administrativo.


Para ser eleitor e ser eleito exigia-se que o cidadão tivesse 25 anos, que não fosse criminoso, nem filho ilegítimo, nem cristão novo. Além de seremhomens-bons”, no século XVIII passou a exigir-se que tivessem título de nobreza, título que podia ser solicitado pelos moradores com alguma educação e serviços prestados a Portugal. Mas o relatório do bispo D. Hilário de Santa Rosa, elaborado em 1742, diz que o Senado se compunha de grande parte de homens degredados ou de outros, “todos ignorantíssimos em matérias de governo sem outras coisas mais que as de procurar a fortuna” (10).


As funções do Senado ficaram reduzidas a partir da Reforma  Constitucional de 1834, e em 35 o Senado acabou por ser dissolvido. Ressurgiu logo depois, passando o governador a ser o seu presidente. A partir da década seguinte o Senado passou a ser presidido pelo juiz de Direito, mas as crises continuaram.


A soberania de Macau tinha sofrido um primeiro impacto com a publicação em 1832 de um estudo sobre a sua história, pelo sueco Anders Ljungstedt, no qual afirmava que Macau era território da China. Suas afirmações foram consideradas falaciosas pelos historiadores portugueses. Mais tarde, Carlos Montalto de Jesus, numa resenha histórica sobre Macau, publicada em 1902 (Historic Macao), afirmava “que osPortugueses tinham sido convidados pelos Chineses a instalar-se em Macau, e que, nos primeiros tempos, não havia qualquer renda”. Mas Montalto de Jesus, na segunda edição, publicada em 1926, acrescentou novos capítulos, em que se refere às falhas de Portugal e da China como responsáveis pela ruína de Macau, ao triste destino de Macau, etc. O Governo sentindo-se atingido acabou por condenar herética esta 2ª edição, apreendendo-a e queimando-a em público. Mas em 1992, Monsenhor Manuel Teixeira fez elogios ao trabalho de Ljungstedt, reabilitando-o. A obra mereceu então nova edição (11).


A celebração do Tratado de Amizade e Comércio entre a China e Portugal em 1887 possibilitou a Portugal  “a perpétua ocupação e governo de Macau”, mas ficaram dúvidas quanto à soberania do Território pertencer à China ou a Portugal (12).


Já na segunda metade do século XX, em 1979, quando a China e Portugal estabeleceram relações diplomáticas, ficou assentado ser Macau território chinês sob administração portuguesa. E a Declaração Conjunta entre os dois países, em 1987, determinou, por fim, que a China retomaria o exercício da soberania sobre Macau em 20 de dezembro de 1999, conforme ocorreu. Em conformidade com o princípio “um país, dois sistemas”, pelo art. 31 da Constituição da RPC, Macau foi erigido em Região Administrativa Especial da República Popular da China.


As políticas de cultura, educação, ciência e tecnologia foram definidas pela Região Administrativa Especial, com o objetivo de proteger o patrimônio cultural em Macau. Em conformidade com a lei, além da língua chinesa, isto é, o dialeto mandarim, pode ser usada também a língua portuguesa, nos organismos do governo, no órgão legislativo e nos tribunais. Mas a maior parte da população usa o dialeto cantonense no dia-a-dia, sendo que, nas atividades profissionais do setor privado, lojas, bancos, etc., usa-se o inglês.


Quanto aos estabecimentos de ensino de diversos tipos, existentes antes de 20/12/99, continuaram a funcionar, com autonomia administrativa, gozando,  nos termos da lei, de liberdade de ensino e de liberdade acadêmica.


O ensino da língua portuguesa, porém, tem constituído um desafio de importância estratégica. Ainda que falada por somente 2 ou 3% de macaenses, é língua também da Administração de Macau, portanto língua oficial como o mandarim. Além disso, hoje são cerca de 200 milhões  de utentes no mundo lusófono, potencializando sua utilidade pelo relacionamento de Macau com a Europa e com o mundo de fala portuguesa, particularmente as cinco nações da África e o Brasil. Como diz Jorge Rangel:

 

 [...] o reforço da posição da língua portuguesa naquela região do Mundo será sinônimo de que, apesar das nossas limitadas possibilidades de intervenção tecnológica e econômica, o português pode afirmar-se como língua de cultura, importante para estreitar laços entre o mundo de língua portuguesa e outros povos (13).

 

4. O poema de Cecília Jorge, que citaremos a seguir, expressa um sentimento da inexistência da identidade coletiva macaense. Mas, por estar “entre dois pólos”, que se atraem e repelem, residiria em Macau a (in)definição de sua identidade, “síntese vivencial que este pedaço de história luso-chinesa plasmou solidamente, num tempo e espaço definidos”, lembrando Benjamim Videira Pires. Ouçamos o poema:

 

Macaense/ que te (indefines)/ pelo não ser bem/ que também não és, bem... / um mais ou menos/ entre dois pólos/ que se atraem/ e se repelem/ pela diferença/ no desonhecimento/ divergente./ Fronteira difusa/ num mar de gente,/ tão transparente/ e frágil que se esquece./ Por ti passam/ calcando,/ e tropeçam/ no gemido/ silencioso / e sentido. / Miragem/ de olhos postos no Ocidente/ e coração suspenso./ A queda livre,/ no abandono/ de um vôo/ sobre o mar / difuso/ difuso/ a apagar-se...

 

Para a antropóloga Ana Maria Amaro, a origem dos macaenses é polêmica, por falta de dados históricos e antropobiológicos que sejam seguros. Estes últimos dificultam ainda mais, em face da reduzida amostragem. Citando teorias baseadas em Bento da França (1897), Álvaro de Melo Machado (1913), Francisco de Carvalho e Rego (1950), Eduardo Brazão (1957), Carlos Estorninho (1962) e Monsenhor Manuel Teixeira (1965), a antropóloga considera serem opiniões controversas sem apoio de estudo serológico ou antropométrico, o que as torna meras hipóteses.


Osfilhos da terra” são fruto de um poliibridismo bastante rico julga Ana Maria Amaro, que conviveu com muitos macaenses durante quinze anos. Sua tese apóia-se principalmente nos Arquivos Paroquiais e em árvores genealógicas de vinte famílias antigas de Macau: as euro-asiáticas, malaias e indianas, teriam sido, em sua maioria, as companheiras dos primeiros portugueses de Macau. Mulheres chinesas, sobretudo ainda crianças, vendidas pelos pais, viviam com os portugueses em regime de concubinato. As filhas, as “nhonhonha” (plural de “nhonha”, mulher ou filha de europeu, e por extensão, “filha da terra” de ascendência portuguesa) muito raramente são mencionadas pelos cronistas, contrariamente aos “nhons” macaenses, filhos varões dos portugueses (14).


Para apoiar sua tese, Ana Maria Amaro vale-se de dados históricos,  antropobiológicos e etnográficos. Quanto aos dados históricos, menciona a possibilidade de os portugueses poderem comprar escravos tanto da África como da Ásia, comércio tão incrementado que levou D. Manuel a proibir que se levassem escravos para a Europa.


Os macaenses são, portanto,  euro-asiáticos. O  componente português  permanece como seu elemento estruturante, no entanto, o componente asiático tem variado, uma vez que este, a partir do século XX, é chinês.


A Comunidade Macaense, predominantemente euro-asiática não chinesa, começou a extinguir-se devido à emigração, a partir da II Guerra Mundial. Posteriormente, após o 25 de abril de 1974, acentuou-se. Mas houve razoável crescimento da Comunidade Luso-Chinesa, devido ao casamento de mulheres chinesas com ex-militares e policiais portugueses, bem como, ao casamento com homens macaenses.
Como acentua Jorge Morbey, a influência exterior que os macaenses têm recebido ao longo de quase 500 anos deu-lhes uma herança cultural bastante rica, conferindo grande plasticidade à sua identidade coletiva. Os chineses nascidos em Macau, que constituem a população maioritária, não se identificam como macaenses, mas como “Ou Mun yan” (gente de Macau). Os macaenses são designados por “Tou sán” (filhos da terra, nascidos na terra). Os portugueses europeus são designados por “Kuai lou” (diabo-gajo), “Ngau sôk” (tio boi), e “Ngau pó” (mulherona vaca) (15).


Do casamento de mulheres macaenses com homens chineses, conforme se tem dado a partir da década de 70, chegam à idade adulta os primeiros filhos. Como as referências culturais são dadas pelo pai, estranho à cultura portuguesa, os novos macaenses desconhecem a língua portuguesa, dominando o chinês e o inglês. Nas relações familiares, o dialeto cantonense é o veículo de comunicação privilegiado.

 

5. Quanto à cultura macaense, Jorge Morbey considera difícil definir os elementos fundamentais, mas em alguns casos seria possível descortinar, embora com permeabilização de elementos das culturas orientais, uma configuração básica que se manteve portuguesa.
A Igreja Católica teve muita importância, funcionando muitas vezes como fonte de norma e controle social, principalmente, quando havia conflitos entre a mentalidade portuguesa da metrópole, mais puritana e a mentalidade portuguesa do Oriente, permeável a costumes asiáticos tidos como indignos e até pecaminosos (16).


Vale a pena destacar o que Benjamim Videira Pires diz sobre a relação entre o homem português e o chinês. O português teria o caráter menos metafísico e mais lírico da Europa, e por isto se aproxima do chinês. O bucolismo, o gosto pela história, a vida do campo como ideal, o pacifismo, a simplicidade de hábitos, o tradicionalismo mostram semelhanças entre o temperamento e a  natureza humana do chinês e do português.


Outras semelhanças também se contam: o idealismo sonhador, a negligência no acabamento das coisas. E no campo simbólico o galo, o arauto do Sol, que pelo canto anuncia o despertar do dia e pela crista vermelha, a presença da luz solar. Muitas igrejas de Portugal têm o galo no catavento a recordar que os fiéis permaneçam vigilantes e se afastem do pecado. E em Macau, o galo em cima dos telhados protege a casa da formiga branca, que rói a madeira (17)


Não podemos deixar de citar, também, um dos mitos da cidade de Macau, a Fonte de Nilau, que os macaenses pronunciam Lilau. Recanto agradável, simboliza o encontro e permanência luso-chinesa  no território, como diz a quadra:

 

Quem bebe água do Nilau
não esquece mais Macau:
ou casa aqui em Macau
ou então volta a Macau.

 

 

Em cantonense a fonte é chamada de “Nei-lau” (nome chinês dado à colina da Penha), que  significa “corrente (de água) do monte”. As duas dimensões representam a horizontalidade, a água que corre, e a verticalidade, o monte, a transcendência do espírito, ou seja, união entre o Céu e a Terra.


Atraídos por seus encantos, certamente beberam de suas águas Camões, Bocage, Wenceslau de Morais e Camilo Pessanha. E naquele longínquo Oriente, com outros portugueses, que vêm estado ali desde meados do século XVI, “ajudaram a descobrir a identidade macaense, feita do encontro e convivência, para um propósito comum, entre marinheiros da costa sul da China e de Portugal” (18).


Os jesuítas  podem ser considerados os primeiros que contribuíram para a expansão da cultura em Macau. Ali chegando em 1563, encontraram apenas uma pequena povoação de 600 ou 700 portugueses, que residiam em casas de palha em volta da pequena igreja de Santo António, perto de onde está hoje a igreja de S. Lourenço. Logo fundaram uma escola de “ler, escrever e aritmética”, que, em 1572, recebeu o nome de “Primum LitterarumScholam”. Nos anos 80 já contava com mais de duzentos alunos, e com um corpo docente de doze jesuítas, quase todos portugueses (19).


Em 1590, estabeleceram-se duas comunidades distintas: a Casa-Residência da Madre de Deus, com 10 religiosos, e o Colégio S. Paulo, com 19 religiosos. Como eram próximos os dois edifícios, havendo comunicação por dentro, confundiram-se numa só instituição, residência e colégio. Incorporaram-se ao Colégio dois Seminários para seculares, uma Escola Elementar e uma Escola de Música e Artes Plásticas. Tendo organização autônoma desde 1594 e organização formal de estudos superiores de Artes e Teologia, com possibilidade de conferir graus acadêmicos não só a eclesiásticos, como também a leigos, o Colégio S. Paulo tornou-se uma instituição de tipo universitário, historicamente a primeira universidade ocidental no Extremo-Oriente. O Colégio também possuía uma tipografia, a primeira que os jesuítas trouxeram para Macau e para o Japão (1588), e uma biblioteca com mais de 5.000 volumes.


Os estudos sinólogos e as obras da doutrina confucionista, tauísta e budista passaram a interessar aos jesuítas, quando, penetrando na China através de Macau, passaram a exercer suas missões, a partir da abertura das rotas de comércio, principalmente com Portugal e Espanha. Os intelectuais europeus também se interessaram por tais estudos, de tal forma que no final do século XVIII, nas universidades européias havia conferências sobre tudo o que dizia respeito à cultura chinesa. Acrescente-se que os jesuítas traduziram muitas obras clássicas chinesas, que circularam pela Europa.


A diocese de Macau foi fundada em 1575 pela bula “Super Specula Militantis Ecclesiae”,  do Papa Gregório  XIII    (1572-1585),   com jurisdição sobre a China, a Coréia e o Japão. Os preceitos de Confúcio, que viveu no século V a.C., foram adaptados à doutrina cristã, representando uma “visão oriental da devoção cristã às almas do purgatório e da crença na comunhão dos santos”. Mas, a partir do século XVII, os Papas não mais consentiram tal adaptação às práticas chinesas. Inocêncio XIII (1721-1724) chegou a proibir que fossemenviados padres jesuítas para o Extremo-Oriente, temeroso de que tais práticas não cessassem (20).


Em 1728 foi inaugurado o Seminário de S. José, onde mais tarde foi construída a igreja anexa de Nossa Senhora da Penha. O Seminário tornou-se um foco de cultura, passando para a direção dos padres Lazaristas, depois da expulsão dos Jesuítas pelo Marquês de Pombal. Formando sacerdotes e também instruindo leigos, teve uma fase de prosperidade até quando os Lazaristas, aderindo ao movimento constituicional da Metrópole, foram alvo de perseguições. Na década de sessenta do século XIX, o Seminário voltou para a direção dos Jesuítas.


Também os Capuchinhos, os Agostinhos, os Dominicanos e as Clarissas tiveram estabelecimentos escolares em Macau, tendo contribuído, como os Jesuítas, para a educação e para a divulgação da cultura portuguesa.


Merece menção o Liceu de Macau, criado em 1893 pelo então ministro da marinha, Nunes Ferreira. Inaugurado no ano seguinte, com 31 alunos, “equiparado para todos os efeitos, em categoria, aos liceus nacionais do Reino”, exerceu papel destacado quanto à língua portuguesa. Wenceslau de Morais, Camilo Pessanha, dentre outros, fizeram parte de seu corpo docente. Residiram em Macau nos fins do século XIX e princípios do século XX, tendo contribuído para o desenvolvimento da cultura portuguesa no território.
É importante destacar que a cultura macaense não se formou pela soma das diferentes culturas que integraram a sociedade, mas resultou de um processo de integração destas e da cultura portuguesa, em que todas se inter-influenciaram. Naquele pequeno território, com 18 quilômetros quadrados (hoje com cerca de 22, devido aos aterros), fincaram-se raízes oriundas dos cinco continentes, que chegavam pelo mar. Tal identidade coletiva apoiou-se sobretudo em ação de navegadores, mercadores, missionários.


A imprensa já existia desde o século XVI, introduzida pelos Jesuítas, como já mencionamos. Mas o primeiro jornal de Macau, A Abelha da China, surgiu somente em 1822, semanário que era também órgão oficial do governo. Provocado pelo choque entre o liberalismo e o absolutismo, este jornal, o primeiro da Ásia a Leste da Índia, teve 67 números. Da mesma tipografia começou a sair outro periódico, “segundo os mais estritosregulamentos da censura”, a Gazeta de Macau, mas teve pouca duração (1824-26) e, posteriormente a Chronica de Macau (1834-36) (21).


Destacou-se no século XX, o Notícias de Macau, que teve bastante projeção. Hoje temos os diários matutinos: Macau Hoje, Futuro de Macau e Gazeta Macaense; o vespertino, Jornal de Macau; e os semanários O Clarim, jornal católico, Ponto Final e Tribuna de Macau.


No final da década de 80 e princípio da de 90, foram criadas algumas associações culturais, organizadas por eruditos macaenses, tais como: Associação dos Escritores de Macau (Pen of Macau);  Associação Poemas de Maio de Macau, que congrega poetas da velha e média geração; Associação de Arte Poética de Macau, que se destina à literatura tradicional, e a revista Poesia Macaense, que é publicação periódica desta Associação; Associação Técnica de Composição Literária de Macau, que se constitui de um grupo cultural acadêmico.


Vale a pena também citar a contribuição do Instituto Cultural de Macau (criado em 1982), tendo  publicado a Revista de Cultura, simultaneamente em português, chinês e inglês, publicação trimestral da Cultura e da História de Macau

 

É de notar que, na década de 90, com a proximidade do período de transição política, a Administração procurou dar maior apoio às entidades culturais, subsidiando-as financeiramente.


Macau conta com o Instituto Português do Oriente (IPOR), criado em 1989, que tem como objetivo preservar e difundir a língua e a cultura portuguesa no Oriente. Dentre outras tarefas, tem buscado estimular as relações históricas de Portugal com os países do Oriente, nomeadamente a República Popular Chinesa, proporcionando contatos científicos, promovendo e apoiando intercâmbio entre pessoas e idéias.


Conta também com o Instituto Internacional de Macau (IIM), cujos sócios fundadores, sintonizados com a vocação macaense de diversidade, convívio, abertura, invocação e progresso, objetivam incentivar o intercâmbio entre as comunidades e estimular a elevação do nível cultural, cívico e profissional das novas gerações.


Quanto à literatura de Macau, ou seja, literatura de temática macaense, destacaremos os seguintes escritores mais recentes: 


Deolinda da Conceição com o livro de contos Cheong Sam - A Cabaia, publicado em 1956. Os temas versam sobre a exploração feminina em Macau, onde se vendiam e compravam crianças, onde o vício do ópio dominava, onde os negócios com o tráfico de drogas, ouro, armas eram constantes;
Maria Pacheco Borges com as narrativas de Chinesinha (1974), onde colhe impressões entre o povo chinês de Macau;


Maria Ondina Braga, escritora nascida em Portugal, que  viveu em Macau longos anos, publicando, entre outros: A China fica ao lado (1968); Noturno em Macau (1991; e Dias de Macau em Passagem do Cabo (1994);


Henrique de Senna Fernandes, com Amor e dedinhos do pé e A trança feiticeira, romances com temática sobre Macau;


Rodrigo Leal de Carvalho, mascido nos Açores, publicou na década de 90   os seguintes romances: Requiem para Irina Ostrakoff, Constutores do Império, IV Cruzada, Ao serviço de Sua Majestade e O Senhor Conde e as suas três mulheres;


João Aguiar, com Os comedores de pérolas, romance que expressa a angústia dos “filhos da terra” pela passagem de Macau para a China.

 

6. Como se sabe, na Idade Média, quando mercadores de várias regiões do Mediterrâneo procuraram estabelecer relações comerciais com outros povos, tornou-se necessária a prática de uma língua mista, simplificada, à qual se deu o nome de “língua franca”. Mais tarde os portugueses, ao entrarem em contacto com povos das mais diversas etnias, tiveram necessidade da simplificação da língua. Também os missionários quando foram para o Oriente, “sequiosos de almas para Jesus”, procuraram tornar a fala mais simples. São Francisco Xavier pregava em crioulo e recomendava aos religiosos que falassem em português “como lo falan losesclavos” (22).


Em Macau, quando os portugueses ali se fixaram, segundo Graciete Batalha assegura, a língua já havia deixado de ser língua franca, ampliada por vários vocábulos e  atingido um certo estado de fixação fonética, morfológica e sintática, mantendo-se por trezentos anos, até que começou a desarticular-se, no século XIX (23)


O dialeto macaísta, chamado também “patuá”, ou “patoá”(do fr. “patois”), tem muita relação com os dialetos de outros povos, como de Malaca e Timor, pela proximidade relativa da Malásia e pela influência do grande número de escravas malaias e timorenses, que nos últimos séculos serviam as famílias macaenses. Muitos vocábulos de origem malaia foram introduzidos no território, desde o início do estabelecimento dos portugueses em Macau.


Além das relações comerciais que se estabeleceram com outros povos, os portugueses casavam-se com mulheres de Malaca e da Índia, pois, por serem considerados “diabos estrangeiros” pelas chinesas,  não se casavam com  elas. Por esta razão seria impossível um substrato chinês para o crioulo macaísta, acrescentando-se também que o contacto com a comunidade chinesa era apenas tolerado, dadas as dificuldades impostas pela Porta do Cerco (24).


O “Papiá Kristang”, importado de Malaca, reforça-se durante a ocupação desta cidade, pelos holandeses, em meados do século XVII, quando várias famílias foram para Macau. Das 1.169 palavras estudadas no Glossário do Dialecto Macaense e no Suplemento ao Glossário, Graciete Batalha destaca 194 de origem malaio-portuguesa e malaia contra umas 140 de importação chinesa antiga, uma vez que o “Papiá Kristang” esteve sujeito também a empréstimos do chinês. Também na estrutura gramatical do “patoá”, se registra identidade com o malaio, por exemplo, na reduplicação vocabular para se formar o plural: “criança-criança” (as crianças).


Uma boa parte do vocabulário macaense é de origem indiana: “alua” ou “aluá”(doce), “jambo” ou “jambolão” (fruta), “copo-copo” (borboleta). Mas a base foi sempre a língua portuguesa da 2a. metade do século XVI e do século XVII. Podem ser notados termos antigos ao longo dos séculos, tais como: “asinha” (depressa), “bredo” (hortaliça). É de notar, no entanto, ausência de termos relacionados com a agricultura e horticultura, visto que o pequeno solo de Macau nunca se prestou ao cultivo da terra. Vocábulos relacionados com a culinária, porém, são bastante expressivos quanto ao número. Confira-se:


“badji”  ou  “baji” (arroz pulu, isto é, gomoso, com coco e açúcar); “chutney de peixe” (à base de cebola, açafrão e coco ralado, muito picante); “chauchau pele”  ou “tacho” (cozido preparado com galinha, chouriços, presunto, chispe (pé de porco), carne salgada, duas qualidades de couve, cogumelos e nabos); “fartes” (bolinhos de farinha, ovos e mel): “minchi” (carne picada) (25).


Além do malaio, termos do “canarim” (língua de Goa) foram adaptados pelos falantes do “patoá” de Macau, uma vez que a colônia esteve ligada administrativamente ao governo da Índia durante muito tempo. Acrescentem-se também alguns vestígios da língua espanhola, pela proximidade das Filipinas.
O “patoá”, além de ter sido a forma de comunicação do dia-a-dia, registrou-se também na linguagem literária. José Baptista de Miranda e Lima (1782-1848), filho do primeiro mestre régio de Gramática Latina, além de ter exercido o magistério como seu pai, compôs alguns poemas satíricos no dialeto mcaense, como este do princípio do século XIX:

 

No mez de Agosto unga tarde
dom-dom panno vai pescá
minhas Pancha vai juntado
Nhum Lourenço companhá
Andá qui, andá minha Siára
perna azedo bem cansado
Nhum Lourenço sua estúrdia
vai até Rede Chapado.

 

(“unga” = uma; “dom-dom panno” = levando ao colo com todo o cuidado; “juntado” = juntamente; “perna azedo” = perna fraca; “estúrdia” = estouvado; “Rede Chapado” = lugar de Macau).


A primeira menção ao “patoá” teria sido de um autor chinês, Tcheng Ü Lam, na monografia sobre a cidade do Nome-de-Deus, que teve o título de Oi-Mun-Kei-Leok (Monografia de Macau, 1745-46), segundo Graciete Batalha. Tcheng Ü Lam coligiu informações sobre os moradores da cidade e sua bárbara linguagem, compiladas depois com a colaboração de Ian Kong Iâm, na monografia acima citada. Foi traduzida para o português em 1950, devido, principalmente a seu valor histórico (26).


O filólogo português Adolfo Coelho teria sido o primeiro a estudar o dialeto, ainda que em poucas páginas, em Os Dialectos Portugueses ou Neo-Latinos da África, Ásia e América (p. 41-45). Leite de Vasconcelos também se preocupou com o dialeto de Macau numa comunicação durante o X Congresso dos Orientalistas (Sur le Dialecte Portugais de Macau. Exposé d' une Mémoire Destinée à la 10e Réunion du Congrès International des Orientalistes).


O macaense João Feliciano Marques Pereira, destacado orientalista, frequentou em Lisboa o Curso Superior de Letras, tendo sido aluno de Adolfo Coelho. Em Macau foi professor, deputado e jornalista. Editou a revista Ta-ssi-yang-kuo (Grande Rumo do Mar do Oeste), que contém artigos com o título Subsídios para o Estudo do Dialecto de Macau.


Como estudiosa do dialeto, destacou-se também Graciete Nogueira Batalha, lingüista formada pela Universidade de Coimbra, que viveu em Macau longos anos, publicando vários trabalhos.


O “patoá” sobrevive na obra de José dos Santos Ferreira. Poeta e prosador tem numerosos escritos na “doce língu maquista”.

 

Ao terminar, diríamos que Macau, mundialmente considerada uma cidade-museu, onde transitam milhares de turistas anualmente, é uma cidade que seduz. Sua sedução não está na arquitetura, na estrutura urbana, nas pessoas ou nos hábitos, mas na mistura de tudo isto, ou seja,

 

- um templo chinês, um pagode, um convento, uma mesquita, uma simples casa chinesa ou um palácio português, que definem um universo exótico e profundamente culto. [...] conjunto híbrido onde se interligam as mais variadas culturas e formas, que, cristalizando ao longo de quatro séculos, transformaram aquele organismo urbano num acontecimento único.. (27)

 

Notas

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1. Para a origem do nome Macau, confira-se: BATALHA, Graciete Nogueira. Este nome de Macau... Revista de Cultura. Macau. Instituto Cultural de Macau, n. 1, 1987, p. 7-15. [voltar]

 

2. COATES, Austin. Calçadas da história. Trad. de Luísa Guedes. Macau. Instituto Cultural de Macau, 1991, p. 50-51. [voltar]

 

3. Em 1953 foi erigido um monumento a Jorge Álvares na Rua da Praia Grande, em Macau. [voltar]

 

4. SANTOS, Isaú. As relações luso-chinesas através de Macau nos séculos XVI e XVII. Revista de Cultura. Macau, Instituto Cultural de Macau, n. 7 E 8, 1988/89, p. 6-7. [voltar]

 

5. O debate Ming acerca da acomodação dos portugueses e o aparecimento da “Fórmula de Macau”. Revista de Cultura. Macau, Instituto Cultural de Macau, n. 16, 1991, p. 17-18. [voltar]

 

6. Para os chineses todos os estrangeiros eram considerados bárbaros, de tal modo que as relações com os portugueses só eram possíveis em nível comercial. [voltar]

 

7.Op. cit., p. 9 [voltar]

 

8.Tael: unidade monetária e de peso da China, com valores diferentes nas diversas regiôes de uso da Ásia. Em Macau, a medida de peso equivaleria  a aproximadamente 30 g. [voltar]

 

9. Transculturação em Macau. Em  Os extremos conciliam-se. Macau. Instituto Cultural de Macau, 1988, p. 9. [voltar]

 

10. No final do século XVI e século XVII vinham a Macau muitos degredados fugidos de Goa e muitos aventureiros, daí a exigência para serem membros do Senado. (Apud AMARO, Ana Maria. Eleições para o Senado de Macau em 1842 e os “homens bons” da terra. Revista de Cultura. Macau. Instituto Cultural de Macau, n. 19, 1994, p. 21). [voltar]

 

11. CHEUNG MIL BING, Christine. Macau: um período “pré-pós-colonial”. Revista de Cultura. Macau, Instituto Cultural de Macau, n. 20, p. 90. [voltar]

 

12. Macau perdeu a hegemonia como primeiro entreposto europeu comercial, cultural e religioso no Oriente, por ocasião da proclamação de Hong-Kong como colônia britânica, em 1842. [voltar]

 

13. A língua e a cultura portuguesa em Macau e as instituições ao seu serviço no presente e no futuro. Confluência. Rio de Janeiro, Liceu Literário Português, n. 12, 1996, p. 85. [voltar]

 

14. Em 1563, o Padre Francisco de Sousa  ao descrever uma procissão em Macau diz que “estavam as meninas pelas janelas com grinaldas nas cabeças e salvas de prata nas mãos cheias de rosas e redomas de água rosada que lançavam por cima do pálio e da gente que passava”.. E ainda: “casaram-se algumas órfãs e muitos cristãos da terra que de largo tempo viviam em pecado. Embarcaram-se para a Índia mais de 450 escravas de preço e na última nau que partiu para Malaca se embarcaram ainda duzentas que eram as mais perigosas e as mais difíceis de se lançarem fora”. (Apud AMARO, Ana Maria. Filhos da terra. Revista de Cultura. Macau, Instituto Cultural de Macau, n.20, 1994,p. 16) [voltar]

 

15. Alguns aspectos em torno da identidade étnica dos macaenses. Revista de Cultura. Macau, Instituto Cultural de Macau, n. 20, 1994, p. 199-209. [voltar]

 

16. Id, ibid., p. 203. [voltar]

 

17. Os extremos conciliam-se, op. cit., 83-84. A formiga branca é o cupim do Brasil, devastador das árvores e da madeira. [voltar]

 

]18. Id., ibid., p. 91. [voltar]

 

19. AZEVEDO, Rafael Ávila. A influência da cultura portuguesa em Macau. Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa do Ministério da Educação, 1984, p. 13-14. [voltar]

 

20. AZEVEDO, Rafael Ávila, op. cit.,  p. 14-16. [voltar]

 

21. GUEDES, João. Laboratório Constitucional. Lisboa, Livros do Oriente, 1995, p. 55-65. [voltar]

 

22. SILVA NETO, Serafim da. História da língua portuguesa. 5ª ed., Rio de Janeiro, Presença, 1988, p. 434. [voltar]

 

23. BATALHA, Graciete. Glossário do dialeto macaense. Macau, Instituto Cultural de Macau, 1974, p. 6. [voltar]

 

24. Id., ibid., p. 22. [voltar]

 

25. A propósito da culinária, ressalte-se que a tradição macaense gosta de receber bem. O “chá gordo”, refeição emblemática, consiste numa merenda ajantarada em que se apresentam 20 ou 30 pratos salgados e doces, oportunidade para as senhoras macaenses mostrarem seus dotes cuklinários. [voltar]

 

26. BATALHA, Graciete. Revista de Cultura. Macau, Instituto Cultural de Macau, n. 20, p. 131-32. [voltar]

 

27. CALADO, Maria e outros. Macau, Cidade Memória no Estuário do Rio das Pérolas.   Lisboa, Partex (CPS), Tomás Taveira, 2985, p. 132 [voltar]